Fúria


Título Original: Rage


Título Traduzido: Fúria (1992Presente)


Ano de Publicação: 1977


Páginas: 138 (Edição de 1992 – Francisco Alves)


Tradução: Ruy Jungmann


Data de Publicação nos EUA: 13/09/1977


Personagens: Charlie Decker, Ted Jones, Jean Underwood, Carol Granger


Conexões: ———-


Personagens Citados: ———-


Sinopse: Charlie Decker é um jovem que está à beira de um colapso mental. Cansado da hipocrisia que o cerca e determinado a provar seu ponto de vista, ele resolve levar uma arma para escola. Charlie, então, toma o comando da sua sala de aula e inicia um jogo psicológico entre seus professores e colegas que, inevitavelmente, alcançará consequências fatais.


Adaptações: ———-


Derivados: ———-


Disponível no Brasil pelas Editoras: Francisco Alves (Os Livros de Bachman – 1992)


CURIOSIDADES

Fúria é dedicado a Susan Artz, uma antiga professora de King, e a W.G.T.

– A primeira pista de que Bachman era King se dá na menção à cidade fictícia de Gates Falls em um único e rápido diálogo do livro. Gates Falls é onde acontece a ação do conto “Último Turno”, da antologia Sombras da Noite. De acordo com o conto “A Gente Se Acostuma”, de Pesadelos e Paisagens Noturnas, Gates Falls fica nas proximidades de Castle Rock. O romance A Metade Sombria e a antologia Hearts in Atlantis também mencionam a cidade.

– A única publicação brasileira da história se deu na edição de 1992 de Os Livros de Bachman, lançado pela editora Francisco Alves.

– O título original do livro era “Getting It On” (expressão americana que remete a uma ereção sexual).

– Este foi o primeiro romance de Stephen King publicado sob o pseudônimo de Richard Bachman.

– Fúria também é, até hoje, o único livro de Stephen King a ter sido definitivamente banido pelo próprio autor. Isto porque a obra foi encontrada entre os pertences de vários jovens que cometeram atentados em colégios e escolas nos Estados Unidos. King declarou que jamais seria um catalisador para violência e, por isso, removeu Fúria das lojas para sempre. A única maneira de ler o livro hoje em dia é obtendo edições antigas dele (inexistente em português do Brasil) ou de Os Livros de Bachman.

– Apesar de no passado ter dito que não permitiria nenhuma adaptação de Fúria, em 2020 King deixou que universitários realizassem uma peça sobre a história, na intenção de provocar um debate acerca do porte de armas. A peça teatral foi realizada na Quinnipiac University, em Connecticut, e também contava com elementos do ensaio “Guns”, escrito por King em 2013.

– Os ataques que, segundo a mídia, foram inspirados pelo romance são os seguintes:

a) Jeffrey Lyne Cox, um veterano do San Gabriel High School, na Califórnia, levou um rifle semi-automático para a escola em 26 de abril de 1988 e manteve uma turma de 60 estudantes refém por mais de 30 minutos. Cox manteve a arma apontada para um de seus colegas quando sua professora exigiu que ele provasse que pretendia machucar alguém. Enquanto isso, três estudantes escaparam pela porta traseira da sala, ao que Cox tentou acertá-los com tiros. O rapaz acabou desarmado por outro estudante. Mais tarde, um aluno contou à impressa que Cox havia se inspirado no sequestro do voo 442 da Kuwait Airways (em 5 de abril de 1988), e pelo romance Fúria, que Cox havia lido diversas vezes, e com o qual se identificava bastante.

b) Dustin L. Pierce, um veterano do Jackson County High School, em Kentucky, se armou com uma escopeta e duas pistolas, e tomou sua classe de refém por nove horas em 18 de setembro de 1989. Felizmente, o incidente terminou sem nenhum ferido. A polícia encontrou uma cópia de Fúria entre os pertences do rapaz.

c) Em 18 de janeiro de 1993, Scott Pennington, um estudante do East Carter High School, também em Kentucky, levou um revólver calibre 38 para a escola, e assassinou sua professora de inglês Deanna McDavid, disparando uma bala na cabeça dela. Depois, ele atirou contra o zelador Marvin Hicks, também o matando. Ele manteve sua turma de refém por 20 minutos antes de liberá-los. Pennington estava irritado com a professora, porque havia escrito um ensaio sobre Fúria que ela avaliara com uma nota “C”.

d) Barry Loukaitis, um estudante do Frontier Middle School, em Washington, foi até sua escola, em 2 de fevereiro de 1996, entrou em sua sala na hora da aula de álgebra, e disparou contra os estudantes, matando dois e ferindo um. Em seguida, ele matou sua professora Leona Caires com um tiro no peito. Ao escutar os disparos, o professor de educação física Jan Lane entrou na sala e se ofereceu para ficar de refém. Aproveitando-se de uma distração, Lane conseguiu desarmar Loukaitis e o imobilizou até a polícia entrar no prédio.

e) Em dezembro de 1997, Michael Carneal atirou em oito colegas de classe, matando três, em um encontro religioso no Heath High School, em Kentucky. Ele tinha uma cópia de Os Livros de Bachman em seu armário.

– Foi o ataque de Carneal que fez King retirar Fúria do mercado. O autor ligou para sua editora e, em suas próprias palavras, disse para que ela tirasse “aquela maldita coisa de circulação”.

– Em uma nota de rodapé do prefácio de Blaze (o livro mais recente assinado por Richard Bachman), King escreve: “Fúria está fora de circulação. Isto é uma coisa boa.”

– Em 2013, King escreveu um ensaio intitulado “Guns” (“Armas”) no qual defende um maior controle para aqueles que possuem armas para defesa (incluindo ele mesmo). No texto, ele também volta a falar do banimento de Fúria:

“Foi preciso mais do que um curto romance para que eles fizessem o que fizeram. Eles eram garotos infelizes com profundos problemas psicológicos; meninos que sofriam bullying na escola e que eram machucados em casa, seja pela negligência ou pelo abuso parental […] Não foi o meu livro que os quebrou ou os transformou em assassinos. Eles encontraram algo em meu livro que se comunicou com eles, porque eles já estavam quebrados. Ainda assim, eu vi Fúria como um possível acelerador, portanto, eu o tirei de circulação. Não se deixa uma lata de gasolina perto de um menino com tendências piromaníacas […] Não removi Fúria do mercado porque a lei exigiu; eu estava protegido pela Primeira Emenda, e a lei não podia exigir a remoção do livro. Eu o removi porque, em meu julgamento, ele poderia machucar pessoas, e era a coisa mais responsável a se fazer. Armas letais continuarão disponíveis para pessoas loucas até que as poderosas forças pró-armamentistas deste país decidam o contrário. Eles devem aceitar a responsabilidade, reconhecendo que responsabilidade não é a mesma coisa que culpabilidade”.