Rafael Albuquerque

Entrevista originalmente publicada no dia 06/09/2010.

Apresentação: Rafael Albuquerque, 29 anos, iniciou a sua carreira com desenhos e ilustrações para o mercado publicitário brasileiro. Em seguida, no ano de 2003, passou a trabalhar para a AK Comics, uma editora de quadrinhos do Egito. Lá, ele criou seus primeiros personagens, além de ajudar na definição da linha editorial da empresa. Dois anos depois, fundou, com alguns amigos desenhistas, a PopArt Comic Studio, um estúdio que produzia para editoras estrangeiras (uma delas a Image Comics, que lançou no mercado em 2007 a sua primeira graphic novel, “Crimeland”). Dentre os trabalhos mais marcantes de Albuquerque, além de “Vampiro Americano”, estão “Jeremiah Harm”, na qual colaborou com Alan Grant e Keith Giffen (criadores do personagem Lobo) na Boom! Studios, “Wonderlost” e “24Seven” (indicado para o prêmio Will Eisner) na Dark Horse Comics, entre outras histórias de Robin, Superman, Batman e outros para a DC Comics.

Mais sobre o trabalho do Rafael, acessem o site: www.rafaelalbuquerque.com.

Sobre a Carreira

01- Como nasceu sua paixão por HQ’s?

Acredito que desde criança, mesmo. Meus pais sempre compraram, e sempre foi algo presente para mim desde que consigo me lembrar.

02- Qual sua HQ favorita?

Não saberia dizer. Gosto de muita coisa, por motivos diferentes.

03- Qual seu desenhista de HQ’s favorito, e por quê?

Também é complicado responder. Posso dizer que os artistas “econômicos” são os que mais me influenciam; aqueles que não perdem muito tempo em detalhes desnecessários e fazem a arte focada em contar a história da melhor maneira. Eduardo Risso, Mike Mignola, Ivo Milazzo são grandes exemplos.

04- O que é necessário para uma pessoa trabalhar como desenhista de quadrinhos?

Acho que disciplina, foco, talento e, de fato, a vontade de fazer parte dessa indústria de alguma forma.

05- Fale para nós um pouco sobre a PopArt Comics Studio.

A PopArt era um estúdio que criei com minha esposa, Cris Peter (colorista de “Casanova”, para Marvel/Icon) com o objetivo de produzir trabalhos para o mercado americano, além de apresentar novos artistas. Em paralelo a isso, queríamos produzir materiais autorais (como “Crimeland”, que lançamos em 2007). Acontece que este formato de estúdio/agência era muito difícil de administrar, especialmente, em paralelo com meu trabalho como artista. Optamos então por encerrar estas atividades, mantendo a empresa apenas para fins legais.

Apesar de “não ter dado certo”, aparentemente, foi uma grande experiência, pois conheci uma série de artistas fenomenais com quem trabalho hoje em dia, como o Eduardo Medeiros e o Mateus Santolouco (com quem produzo a série “Mondo Urbano”, para a Oni Press). Espero que de alguma maneira isso tenha influenciado a carreira deles para melhor.

06- Que outras HQ’s você desenha atualmente além de “Vampiro Americano”?

Trabalho em paralelo com este projeto, que faço com o Mateus e o Eduardo chamada “Mondo Urbano”. É uma série de cinco graphic novels autorais, publicadas pela Oni Press e enfoca diversas histórias do cotidiano urbano. Todas elas relacionadas umas com as outras. É um grande exercício de narrativa, pois trabalhamos com três autores, três estilos diferentes e estamos criando uma grande história. Estamos bem empolgados com a recepção da série nos EUA e felizes com o desempenho que teve aqui no Brasil.

Sobre Stephen King

07- Você conheceu King pessoalmente? Se sim, como foi a experiência?

Não o conheci pessoalmente, ainda, mas trocamos alguns e-mails e posso dizer que foi uma grande experiência. Ele é um cara muito legal e acessível. Mandei uma cópia de “Mondo Urbano” para ele. Ele foi muito gentil, cedeu um “quote” para a capa do livro, inclusive.

08- Você já conhecia o trabalho dele antes de “Vampiro Americano”? Se sim, tem algum livro favorito?

Conhecia brevemente. Nunca fui um grande fã de terror, apesar de gostar de algumas coisas. Como não sou um cara que lê muito, passei a conhecer a obra de Stephen após começar “Vampiro Americano”. Assisti a alguns filmes baseados em sua obra, entretanto.

09- Existe alguma história de King que você gostaria de transpor para os quadrinhos (mesmo só tendo visto a adaptação)?

Ah, talvez “O Iluminado”, mas nunca li o livro.

Sobre “Vampiro Americano”

10- Qual seu protagonista favorito de “Vampiro Americano”, Skinner Sweet ou Pearl Jones?

Gosto dos dois. Eles têm carisma e são durões. Na verdade, ao longo da história, acho que percebemos que eles são mais parecidos do que se pensa.

11- Já se é sabido quantas edições a série vai ter totalmente? Você planeja desenhar todas?

Acho que Scott [Snyder] tem uma ideia de quantas edições a série vai ter, mas, obviamente, isso depende do sucesso de vendas e do retorno que isso dê para a Vertigo. Podemos contar com pelo menos mais dois anos. Infelizmente, não poderei desenhar todas as edições. Teremos artistas convidados entre arcos, mas meu plano é continuar até o fim da série, desenhando os arcos principais.

12- Do primeiro arco, qual foi a edição que você mais gostou de desenhar, e por quê?

Gostei bastante da quarta. Acho que, artisticamente, é a mais bem feita. Gosto da primeira também, mas estava meio tenso por conta do novo estilo, então acho um pouco inconstante.

13- O que você achou dos roteiros de Scott Snyder para a história de Pearl, e Stephen King para o “nascimento” de Skinner?

Muito bons. Gosto muito da maneira como eles trabalharam comigo. Colaborando, dando ideias, ouvindo ideias. Acho que é o grande jeito de fazer quadrinhos e estou feliz que todos colaborem desta forma.

14- De onde veio sua inspiração para criar Skinner Sweet?

Queríamos que ele fosse um criminoso com um ar de rockstar. Mais ou menos como o Jack Sparrow [protagonista de “Piratas do Caribe”] foi criado. Kurt Cobain foi, sem dúvida, uma grande inspiração visual, mas queríamos um cara imprevisível. Meio como o Coringa, sabe? Acho que conseguimos fazer um grande personagem.

15- O que pode nos adiantar do próximo arco de “Vampiro Americano”?

O próximo arco se passa algum tempo depois e apresenta novos personagens. Nosso “herói” é Cash McCogan, um impulsivo policial com uma história sombria e a filha de Abi e Book, Felicia. Claro que teremos Skinner, também, mas mostrado de uma maneira diferente. Estamos agora nos anos 1930. Todo aquele clima de gângsters e máfia. Acredito que os leitores irão curtir.

King of Maine agradece a gentileza e o tempo concedido por Rafael Albuquerque, e deseja que você tenha muito sucesso no futuro.