Sobre a Escrita

A resenha a seguir não contém spoilers e reflete apenas a opinião do autor.

Stephen King lançou poucos livros de não-ficção em sua carreira; alguns deles poderiam não interessar tanto aos leitores, como é o caso de Faithful (uma obra que se limita a mostrar a troca de e-mails e comentários entre King e o amigo Stewart O’Nan sobre a temporada de 2004 dos Red Sox, time de beisebol pelo qual torcem os dois); ou Nightmares in the Sky, um livro repleto de fotos de gárgulas nas mais diversas locações do mundo com um singelo ensaio de King sobre as “criaturas”.

Contudo, há aquelas pérolas que trazem um insight do autor acerca do mundo da literatura e do horror. É o caso, por exemplo, de Dança Macabra, um verdadeiro almanaque que cobre décadas do gênero terror em diferentes mídias. A melhor e mais pertinente destas obras de não-ficção de Stephen King, todavia, foi lançada apenas neste ano pela editora Suma de Letras. Trata-se de Sobre a Escrita (On Writing, 2000), um livro moderadamente curto, mas com um conteúdo de peso.

Como explica Stephen King, Sobre a Escrita não é exatamente uma biografia. Claro, há relatos – por vezes dramáticos, por vezes hilários – de sua vida, desde a infância, até os anos 1990. Mas o livro é muito mais do que isso. A parte em que King fala sobre sua vida – a primeira seção – tem o correto título de “Currículo”. É aquela parte introdutória que ele escreve para te mostrar que entende do assunto e que tem moral para te dar conselhos. Porque é disso que este livro se trata, afinal: um pequeno manual inspirador para aqueles que desejam se tornar escritores, e/ou simplesmente amam aqueles fantásticos, preciosos objetos feitos de folhas de papel e encadernados com variados materiais.

Não que Stephen King precise te provar qualquer coisa, certo? Após mais de 70 livros publicados, é de se esperar que o cara tenha um ou dois conselhos válidos para te dar…

Não vou mentir. Como muitos, tenho o desejo tímido de algum dia poder publicar um romance. Mas… por vários fatores, nunca deu certo. Essas sucessivas falhas, naturalmente, me desanimaram mais e mais com o tempo… até eu ler Sobre a Escrita. Várias são as dicas na obra, mas as melhores são as que dão esperanças a jovens e velhos que desejam produzir um livro. Stephen King é bastante compreensível e incentivador com esta parte de seu público fiel. Este elemento faz com que o leitor se sinta mais confortável e íntimo de King, que, através dos capítulos do livro, narra suas experiências no mundo da literatura; informa sobre o mercado de trabalho (norte-americano, é verdade, mas tá valendo); além de ensinar os básicos gramaticais e estéticos do ofício da escrita.

Sobre a Escrita é um livro que importa. Para os amantes da literatura ou que sonham em se tornar autores, é uma obra obrigatória, do tipo que se precisa levar de um canto para o outro sob o braço, principalmente se você estiver interessado em compor. Não são muitos os livros de não-ficção que têm o poder de conversar com o leitor e atrair sua atenção de verdade. Sobre a Escrita é um desses, e ainda bem que a editora Suma de Letras finalmente entendeu a importância de publicá-lo para um público tão fiel do autor quanto o brasileiro. Mas antes tarde do que nunca!