LOVE: A História de Lisey

A resenha a seguir possui spoilers e reflete apenas a opinião do autor.

LOVE: A História de Lisey é uma história bastante original e interessante. Lisey é a viúva de um famoso escritor que tem de lidar com ameaças naturais e sobrenaturais que foram indiretamente causadas por seu falecido marido.

Não é um romance que agradará a todos. Afinal, A História de Lisey é um drama sobrenatural cuja protagonista já é uma senhora com seus 50 anos, mas creio que agradará aqueles que buscam uma boa história de amor, e que são curiosos para ver o lado mais dócil e sentimental de King.

A História de Lisey não tem uma trama linear. Portanto, não se culpe se ficar muitas vezes confuso no decorrer do livro quanto aos pensamentos e explicações dos personagens sobre algo que (para eles) já aconteceu e que você suspeita ter passado batido sem perceber… mas não se preocupe, você não fez isso; tudo aquilo que você não entendeu, será explicado em uma página futura.

Falemos da história per se: Lisey é uma viúva cinquentona que teve de lidar com a fama do seu marido, um famoso escritor. Lisey precisou se acostumar com a mídia, com os fãs e com psicóticos; mesmo agora, esses fantasmas ainda a assombram. Enquanto um agente quer vasculhar as coisas de Scott (o estranho marido de Lisey) em busca de algum livro inédito, ou qualquer coisa que valha a pena publicar, um novo louco psicótico começa a perseguir Lisey com intenções nada boas. Para piorar, Lisey vai se lembrando de uma terrível verdade sobre o marido (e é aí que a parte sobrenatural começa): ele costumava se refugiar num mundo estranho e interessante chamado Boo’ya Moon. Tal mundo tinha as propriedades de curar e inspirar Scott. Porém, nem tudo eram flores. Uma criatura faminta que assombrava tal dimensão perseguiu Scott até o fim de sua vida. Agora, ela passará a assombrar a de Lisey.

Para resumir o livro… enquanto Lisey vai relembrando momentos marcantes de sua vida com seu grande amor (através de flashbacks), ela deve combater um agente inescrupuloso, sua irmã problemática e teimosa, um maníaco que quer matá-la e uma criatura de outra dimensão que também não pretende fazer menos que isso. Essa salada mista foi algo que me incomodou. O romance tenta ser, em simultâneo, uma trama de horror sobrenatural, um suspense psicológico e uma história de amor. É um famoso caso de “ame ou odeie”.

Confesso que o livro está longe do meu Top 5, ou mesmo do meu Top 15 das melhores obras de Stephen King, mas isso também não quer dizer que ele seja ruim. Acredito que seja um romance que não foi feito para todos os leitores do autor; mas aqueles que gostaram, realmente gostaram. Eu não fui um deles. Lisey não me conquistou como protagonista, Dooley não me conquistou como vilão, e toda a trama sobre Scott é uma das criações mais esquisitas que King já bolou (e não no bom sentido).

Apesar disso, acredito que A História de Lisey mereça ser lido; seja por sua premissa estranha e original, seja para que você simplesmente diga que leu, seja para ver esta faceta rara de King. Não é todo dia que vemos o autor se declarar para sua esposa tão abertamente assim. Dê uma checada.

Em tempo, vamos torcer para que, se algum dia a Suma de Letras reeditar a obra, ela retire esse “LOVE” horroroso do título.

Artigo originalmente escrito em: 23/07/2012