Haven: 2ª Temporada

A resenha a seguir NÃO possui spoilers do seriado e reflete apenas a opinião do autor.

Quando vi o final da primeira temporada de “Haven”, minha impressão foi de que os responsáveis pela série haviam enrolado demais, colocando “o freak da semana” em todo santo episódio, de modo que o verdadeiro mistério por trás de Haven (o Rapaz do Colorado) era raramente mencionado.

Com a bombástica cena final, meu ânimo se renovou para a temporada que viria, visto que o primeiro ano havia terminado de maneira bastante intrigante. Junto à renovação de meu ânimo veio a esperança de que parassem de se centrar tantos nos “problemáticos”, e explorassem mais a cidade e seus variados segredos. Bem, não foi dessa vez.

Sim, algumas questões importantes sobre os personagens principais foram respondidas, mas isso apenas nos episódios 11 e 12. Adivinha o que veio antes, nos dez anteriores? Pois é, “freaks da semana”. Não que seja totalmente ruim; é bom ver os personagens lidando com situações sobrenaturais, mas até certo ponto… enjoa. Na minha crítica da primeira temporada, cheguei a comparar “Haven” a “Smallville” (que em suas primeiras temporadas vomitava “freaks da semana”). Com o progresso desse novo ano, a comparação só vai ficando mais sólida.

Em relação à primeira temporada, nada mudou muito. Temos os três personagens principais: Audrey, Nathan e Duke. Temos os freaks problemáticos… e só. Sinceramente, eu temo pelo futuro da série, cuja terceira temporada está sendo gravada enquanto você lê isso (ou não, se estiver lendo isso após 2012). Não dá para continuar um seriado sem que haja evolução. Colocar alguns mistérios para apimentar a trama vai funcionar até certo ponto, mas uma hora o público vai enjoar e parar de assistir.

Aparentemente, a solução dos roteiristas para isso é introduzir novos personagens para interagir com os velhos. Nesta nova temporada, temos três novos coadjuvantes que têm certa importância: Dwight (interpretado pelo lutador The Edge), um brutamontes amigo do pai de Nathan, responsável por “limpar” os rastros dos problemáticos; Chris (interpretado por Jason Priestley), um biólogo marinho cujo “problema” é fazer as pessoas se apaixonarem por ele; e Evi (interpretada por Vinessa Antoine).

O problema principal foi a escolha dos atores. The Edge, sem muita experiência, às vezes provoca constrangimento em sua atuação. Eu não estou pegando no pé dele pelo fato de ele ser um lutador, visto que seu colega, The Rock, também atua e é bastante carismático.

Vinessa Antoine é sofrível. Dá para perceber que ela tentar incorporar uma mulher sexy, decidida, esperta e irônica. Ela falha em todos os aspectos. Na maior parte, é Eric Balfour quem salva a cena. Sua personagem não adicionou absolutamente nada para a história, a não ser dar uma razão para Duke ter com quem interagir.

Jason, por outro lado, atua bem, mas seu personagem, assim como Evi, não adiciona muito à história, além de ser uma breve pedra no caminho do inevitável relacionamento entre Audrey e Nathan. Seu “problema” é bastante interessante. Entretanto, os roteiristas erraram ao fazer disso apenas o cano de escape engraçado do programa. Eu gostaria de vê-lo usar seu poder para coisas importantes; o que não aconteceu.

No frigir dos ovos, apenas os personagens de The Edge e de Jason Priestly foram interessantes. Enquanto um (The Edge) é relativamente bem usado, apesar de seu intérprete não ter experiência como ator, com o outro acontece justamente o contrário. Paciência.

Entretanto, nem só de fracassos vive “Haven”. A segunda temporada também teve seus momentos áureos. Gostei muito da evolução do personagem do reverendo Driscoll nesta temporada; me lembrou vilões fanáticos criados por King, como Margaret White (Carrie, a Estranha), e a Sra. Carmody (“O Nevoeiro”). O ator Stephen McHattie também soube conduzir bem essa evolução. Gostaria de vê-lo na terceira temporada, se houver como…

Outro ponto positivo é que, apesar de enrolarem para revelar alguns segredos, as respostas para os mesmos são interessantes, e eles foram sábios o bastante para criar mais alguns. A temporada revela (relativamente) quem é Audrey, qual é o seu papel em Haven, bem como quem são aqueles que vão tentar impedi-la e o porquê disso.

Penso que eles poderiam parar de se concentrar tanto em mostrar os problemáticos e começar a mostrar um pouco mais do passado da cidade. Afinal de contas, vai ser muito difícil essa série ultrapassar a 5ª temporada (embora eu possa queimar a língua). Se eles ficarem atrasando e atrasando, “Haven” poderá ter o mesmo fim de “O Vidente” (The Dead Zone), que se preocupou tanto em apresentar tragédias para o protagonista tentar impedir, que esqueceu a essência do romance original.

Enfim, o veredicto é que da primeira para a segunda temporada houve poucas mudanças (e quase nenhuma teve um bom efeito). Foram 13 episódios, incluindo o especial de Natal, mas gostei de menos da metade (destaque para “O Dia de Folga de Audrey Parker” e “Pecados dos Pais”, que foram bem interessantes), e não gostei de dois dos três atores contratados, embora o personagem de The Edge me agrade.

Não vou dizer que a primeira temporada foi pior ou melhor. Na verdade, foram bastante similares. Considero as temporadas no mesmo nível… o que não é bom. Espero sinceramente que tenhamos uma boa evolução na terceira temporada… de outro modo, a série está fadada a cair na mesmice. Sinceramente, penso que se não derem uma bela volta de 180º, não vamos ter uma quarta temporada. Vou ficar na torcida, pois há muita coisa boa em Haven esperando para ser explorada, ao invés de ser ignorada.

Artigo originalmente escrito em: 11/05/2012