Haven: 1ª Temporada

A resenha a seguir NÃO possui spoilers do seriado e reflete apenas a opinião do autor.

Baseado levemente em The Colorado Kid, “Haven” é a nova série que adapta um trabalho de Stephen King. A trama gira em torno da agente do FBI Audrey Parker, que é mandada pelo chefe a Haven, um vilarejo na costa do Maine, para procurar um fugitivo. Após resolver o caso, Audrey percebe que sua relação com Haven é mais profunda do que pensava. Ao ver uma mulher muito parecida consigo mesma numa antiga foto de jornal sobre a morte do “Rapaz do Colorado”, ela resolve permanecer em Haven para cavar mais fundo.

Como personagens coadjuvantes, temos Nathan Wuornos, o filho do chefe da polícia local e Duke Crocker, um rapaz misterioso que os ajuda ocasionalmente. A cada episódio, Audrey vai tentando descobrir mais sobre seu passado em Haven enquanto tem de lidar com as ameaças conhecidas como “Problemas” (Troubles), um evento que aparentemente ela mesma disparou, fazendo com que algumas pessoas na cidade despertassem poderes paranormais que nem mesmo sabiam que possuíam.

Audrey, a personagem principal da série, vai na contramão do perfil clichê de um agente do FBI na ficção (por natureza rude e descrente). De fato, a protagonista é um tanto quando exageradamente “crente”. Desde o momento em que chega à cidade, Audrey encara todos os eventos paranormais que a cercam com estranha naturalidade. Apesar disso, a bela atriz Emily Rose sabe injetar carisma e bom-humor na personagem. Em momentos dramáticos, ela também corresponde. Audrey é uma boa personagem. Esperta, decidida e independente, ela é bem escrita e divertida de acompanhar. São os segredos que giram em torno dela que mantêm a chama da série acessa.

O segundo personagem em ordem decrescente é Nathan Wuornos. Nathan é um dos “Problemáticos”. O “poder” do rapaz é ser incapaz de ter sensações corporais; se ele se acidenta ou leva uma porrada, nada sente. Nathan é aquele típico personagem quieto, reservado e tímido. Quando Audrey adentra a vida dele, o rapaz percebe que existe alguém que pode compreendê-lo, já que ele não tem lá muita simpatia pelo próprio pai, que está sempre cobrando que ele dê o melhor de si para estar preparado para quando ele se for. Outra coisa que se pode falar sobre o policial é que ele é muito correto e faz de tudo para cumprir seu dever.

Duke Crocker é um nativo de Haven que tenta sobreviver da única maneira que consegue: vendendo artigos ilegais em seu barco. Duke é mais um valioso amigo de Audrey devido aos seus contatos e sua inteligência para estar sempre um passo à frente de alguma ameaça. Apesar de ser canastrão, mulherengo e charmoso, Duke tem coração, e está (quase) sempre pronto para ajudar Audrey por livre e espontânea vontade. Um dos temperos interessantes da série é o atrito entre ele e Nathan. Como se descobre eventualmente, ambos já foram amigos de infância, mas Duke adorava sacanear Nathan, o que o deixou ressentido pelo resto da vida.

“Haven” está longe de ser uma série incrível, mas tem seu charme. Sua fórmula é a mesma de seriados como “Smallville” e “Arquivo X”. Mas isso não quer dizer que a coisa é sempre bem feita. Algo que me irritou bastante durante a temporada foi a insistência dos roteiristas em apresentar um determinado personagem e tentar nos fazer acreditar que ele é o culpado pelo “problema” do episódio, só para no último ato revelarem que o vilão era outra pessoa. Você pode pensar que é exagero meu, mas acredite, em quase todos os 13 episódios da primeira temporada, este artifício é utilizado.

Se por um lado temos esses pontos negativos, também temos os positivos. Os episódios apresentam aquele tom leve de aventura, ficção-científica e humor ácido; tudo misturado ao “problemático” da semana. Na maioria das vezes, a história do episódio é interessante. A exceção são os primeiros capítulos que podem parecer bem bobinhos, lentos quando começa a tocar no passado da protagonista e no mistério por trás da morte do Rapaz do Colorado.

Outra coisa legal, é que a série, apesar de não ser uma cópia xerox do romance que adapta, se preocupa bastante em inserir diversos easter eggs das dezenas de obras de Stephen King. É sempre divertido pescar uma menção a Derry ou referências a Shawshank, por exemplo.

Para finalizar, diria que aguardo alegremente a segunda temporada. De uma coisa tenho certeza, “Haven” pode ser a série menos fiel à obra que adapta, mas, de longe, ela é a melhor de todas. É uma série divertida, voltada para a família, e que, por consequência, atrai mais pessoas ao trabalho de King (o que é importante). Vamos esperar que os roteiristas continuem se superando, e que, com isso, “Haven” possa viver por muitas temporadas (acho que até a 5ª seria justo).

Artigo originalmente escrito em: 11/10/2010